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Liturgia e missão: uma relação amorosa entre Deus e seu povo

“[…] Somos filhos da Igreja do norte; missionários desta região. Formamos a comunidade nesta geografia que temos nas mãos; aprendemos a ouvir a mensagem de um Deus que nos fala na brisa, nas águas nas flores no chão.
Sou missionário, sou povo de Deus. Sou índio, caboclo, mestiço fazendo da vida a missão; aqui nesta grande tapera da Igreja Amazônica sou mensageiro de um Deus que é irmão”.

Comecemos nossa reflexão sobre a relação entre Liturgia e Missão a partir dessa linda canção “Nossa vida é missão” de Manoel Nerys, tão nossa cara: a cara do povo missionário da Amazônia.
Ela nos faz perceber que nossa ação missionária é o reflexo do amor sem medidas por Deus, estendido em Cristo, o rosto humano e divino do Criador. Ao percebemos a dimensão desse amor, entendemos que a nossa missão é comunicar o Evangelho a todo homem e a toda mulher, independente de raça, cultura e posição social; ou seja, Ele quer nossa disponibilidade de servir para chegar cada vez mais perto do seu povo e de todos aqueles que o buscam de coração disposto ao amor sincero.
Assim, essa relação amorosa entre Deus e seu povo é também a proposta para este mês de outubro, conhecido como mês missionário; nas leituras dominicais do Evangelho de São Lucas enfatizam essa relação e dão pistas da missão litúrgico-celebrativa na comunidade: no 27º Domingo Comum (02/10), somos motivados a pedir ao Senhor que aumente nossa fé, para que ela nos ajude a ser generosos e gratuitos em benefício da comunidade e dos necessitados; no 28º Domingo Comum (09/10), percebemos que a fé nasce com a gratidão e a esperança no Deus Libertador e põe-nos a caminho com Jesus; 29º Domingo Comum (16/10), refletimos a oração insistente que suscita e defende a justiça; 30º Domingo Comum (23/10), mostra que se faz necessário libertar-se da presunção, ao nos considerarmos melhor que os outros, e do preconceito, ao rotular as pessoas; e no 31º Domingo Comum (30/10), somos chamados a sermos discípulos que agradam a Jesus, aqueles que sabem partilhar e colocar o poder a serviço da vida.
Dessa forma, nossas Celebrações devem ser marcadas pela humildade de nossas orações, pelo serviço e disponibilidade com que nos colocamos diante de Deus. Liturgia e missão, portanto, se imbricam na humildade do serviço evangelizador; e nós, liturgistas, devemos ajudar a comunidade celebrativa a reconhecer Jesus Eucarístico como a Salvação para a humanidade e o Libertador de nossas enfermidades, seja corporal ou espiritual.
Para tanto, ajudemos, por meio de nossas celebrações neste mês dedicado às missões, nossa gente a louvar e agradecer a Deus com sinceridade, sem a pretensão de mostrar a Missa como um espetáculo de arte. Mas sim como uma oportunidade de encontro com Jesus Cristo, o grande missionário.

Wenderson Farias
Pascom/Liturgia

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