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Setembro: o mês dedicado às Sagradas Escrituras

Setembro, o mês dedicado às Sagradas Escrituras. Este é o momento no qual a Igreja nos proporciona para estudá-las mais profundamente: compreender a origem da Bíblia e a importância em nossas vidas; verificar quais os livros que a compõe; aprender que as Sagradas Escrituras nasceram da Igreja e não o contrário; e como estas ajudam na vida do cristão, no caminhar da comunidade e consequentemente nas suas pastorais e movimentos.

Alinhados a esses objetivos importantíssimos, o que se observa na ação litúrgica das comunidades é a intenção de destacar os livros que contem os textos bíblicos sagrados, suas informações, seus ensinamentos: a Bíblia, o Evangeliário e os Lecionários. E isto é muito louvável! Entretanto, tomemos cuidado para que esta intencionalidade não acabe sendo equivocada e sem sentido para o Rito Litúrgico.
Para tanto, confeccionamos uma pergunta norteadora que conduzirá as nossas ideias: como usar a Bíblia, o Evangeliário e os Lecionários que contem os textos bíblicos sagrados sem que deturpem o Rito Litúrgico em nossas celebrações? A partir dessa questão, tentaremos respondê-la de forma simples e objetiva de acordo com as orientações escritas no Cerimonial dos Bispos e o Missal Romano.
Comecemos pelo Evangeliário, também chamado Livro dos Evangelhos. Na oportunidade, dizemos que não o mesmo livro chamado Lecionário, pois o Evangeliário apresenta somente os evangelhos dominicais e evangelhos utilizados para as importantes ocasiões celebrativas da Igreja, as solenidades.
Geralmente, o Livro dos Evangelhos toma lugar na procissão de entrada entre clérigos e leigos; conduzido na procissão pelo diácono, na sua falta por um proclamador da leitura, e colocado “deitado” ou “de pé” sobre o altar, contanto que não tenha a possibilidade de cair naturalmente.
De maneira solene, o diácono, ou na sua ausência o próprio sacerdote, se dirige ao altar, faz reverência profunda e toma o Livro dos Evangelhos; dessa forma, omite-se uma nova reverência e o conduz o ambão.
Se o ambão está muito próximo do altar, muito próprio das igrejas estruturalmente menores, é apropriado fazer um caminho maior para suscitar a solenidade de procissão do Evangeliário. Nesse caminhar há ainda a presença do incenso e dois castiçais com as velas, respectivamente, à frente do Livro dos Evangelhos. Aí surge uma dúvida frequente: e se o Círio Pascal ali estiver, mesmo assim usam-se os castiçais com as velas? Sim! Como acontece nas celebrações do Tempo Pascal, exéquias e batismos. E vale ressaltar que durante toda a proclamação, o Evangeliário é iluminado pelos castiçais com as velas acesas que permanecem junto do ambão. Logo, ao chegar ao ambão – também denominado mesa da Palavra- o proclamador abre o livro, diz as palavras introdutórias e imediatamente incensa o livro. Ao fim da proclamação, este beija o livro; ou, se for o Bispo a celebrar, pode levar o livro para que o beije e abençoe o povo com o livro.
Gostaríamos, ainda, de chamar atenção para uma importante situação em relação ao Evangeliário: além da procissão de entrada e durante a aclamação ao Evangelho, não se leva este livro em nenhuma outra procissão.
Outro livro importante, neste momento em que a Igreja destaca fortemente as Sagradas Escrituras, é o Lecionário, livro que contém os textos (epístolas, lições e evangelhos) a serem lidos na missa. Este nunca é conduzido em procissão, salvo no rito de dedicação de igreja, quando os leitores e o salmista levam-no até o Bispo e este, dizendo a fórmula “A Palavra de Deus ressoe sempre…”, o introduz na igreja a ser dedicada, o devolve ao primeiro leitor que o coloca sobre a mesa da Palavra. Esta é a única “entronização da Palavra” que existe.
A Bíblia propriamente dita nunca se leva em procissão, ela pode e é aconselhável que esteja presente na igreja, mas não toma parte dos ritos litúrgicos.
Por fim, a nossa intenção foi distinguir como devem ser usados ou não os livros que contem os textos bíblicos sagrados em nossas celebrações sem que deturpem o Rito Litúrgico. Constatamos, ainda, que na liturgia podem existir ainda outros costumes que ressaltem as sagradas escrituras, entretanto devem ser gestos, frutos de uma sadia criatividade que não deturpem o Rito Litúrgico; ao contrário, práticas que podem enriquecê-lo.

Bibliografia
• Cerimonial dos Bispos
• Introdução Geral do Missal Romano

Wenderson Farias
Liturgia/Pascom NSC

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